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Outros recursos sinestésicos da redação

Para terminar a série de artigos sobre sinestesia na redação, vamos ver agora a exploração do olfato.
JOANA lembrou-se de repente, sem aviso prévio, dela mesma em pé no topo da escadaria. Muito provável mesmo que nunca tivesse vivido aquilo. (...) O cheiro das fazendas novas vestidas pelo homem que seria dela a atravessava, procurando distanciá-la do botão de rosa que insistentemente lhe comprimia as narinas, indecisas entre velhos e novos aromas, entre o que fora e o que passaria a ser, terminada a cerimônia.
(Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem - Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986 - texto adaptado)

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Por meio do contraste de elementos olfativos (o cheiro das fazendas novas... versus o botão de rosa ... ), a cena reitera o seu caráter de predomínio de impressões subjetivas, com acréscimo de personagem (o marido) e clara referência ao significado afetivo da lembrança.


Exploração do paladar

JOANA lembrou-se de repente, sem aviso prévio, dela mesma em pé no topo da escadaria. Não sabia se alguma vez estivera no alto de uma escada, experimentando o bolo de noiva, cujo sabor não tinha consistência na sua memória. Se queria pensar nele não percebia na realidade gostos, porém uma massa insossa e volumosa, nadando de um lado para outro em sua boca, que naquele momento ansiava por sal, ou ao menos por um copo com água.

(Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem - Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986 - texto adaptado)

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Agora, a presença do paladar se conjuga com o tato, para novamente enfatizar as sensações e os sentimentos de Joana, ao lembrar o que lhe aconteceu interiormente, no dia de seu casamento.

Na semana que vem veremos mais uma série de artigos sobre redação. Para não perder nada sobre o assunto, clique aqui.

Exploração da sinestesia na redação

A exploração da audição no texto descritivo é um recurso poderoso do qual já falamos aqui no artigo anterior. Você pode saber mais sobre a descrição na pintura no site da Wiki também. Veja este exemplo abaixo sobre o uso desse recurso na construção de um texto no vestibular.

JOANA lembrou-se de repente, sem aviso prévio, dela mesma em pé no topo da escadaria. (...) Muito provável mesmo que nunca tivesse vivido aquilo. Se queria pensar nos leques não os via na realidade, porém manchas brilhantes pareciam farfalhar de um lado para outro entre palavras em francês, sussurradas com cuidado por lábios juntos...

(Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem - Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986 - texto adaptado)



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Nesta versão do mesmo parágrafo descritivo, a audição se acrescenta à visão para marcar a já comentada imprecisão da memória; ao mesmo tempo, aumentam os detalhes, que vão caracterizando mais expressivamente a evocação do passado.

Outra questão interessante na redação é a exploração do tato

JOANA lembrou-se de repente, sem aviso prévio, dela mesma em pé no topo da escadaria. (...) Muito provável mesmo que nunca tivesse vivido aquilo. (...) Mas apesar de tudo a impressão continuava querendo ir para frente, como se o principal estivesse além da escadaria e dos leques. Sentia na planta dos pés aquele medo frio de escorregar, nas mãos um suor cálido, na cintura uma fita apertando, puxando-a como um leve guindaste para cima.

(Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem - Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986 - texto adaptado)

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Aqui a cena se torna mais rica e complexa, uma vez que os elementos da percepção tátil desviam o foco da descrição, que se afasta do cenário para focalizar a personagem, aumentando o conteúdo de subjetividade do texto e desta forma concentrando-o na realidade interior, nas sensações íntimas daquela que lembra.

Elementos constitutivos do texto descritivo

A visão, a audição, o olfato, o tato e o paladar - nossos cinco sentidos - constituem os alicerces da descrição. A eles acrescentamos nossa imaginação criadora.
Na medida em que se ancora na percepção sensorial, o texto descritivo explora os cinco sentidos, seja isoladamente, seja confundindo-os, isto é, utilizando-se de sinestesias.
"Não se esqueça de que percebemos ou observamos com todos os sentidos e não apenas com os olhos. Haverá sons, ruídos, cheiros, sensações de calor, vultos que passam, mil acidentes, enfim, que evitarão se torne a descrição uma fotografia pálida daquela riqueza de impressões que os sentidos atentos podem colher".
Othon M. Garcia - Comunicação em Prosa Moderna - Rio de Janeiro, Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1996)

Leitura Comentada


Escrever um texto dissertativo é uma competência que todo aluno deve ter na hora de fazer o Enem e o vestibular. Por isso mesmo é que recomendo a leitura do meu artigo em que ensino como fazer uma boa redação dissertativa no Enem.

Para exemplificar a exploração dos sentidos no texto descritivo, leia as várias versões de um parágrafo em que uma personagem se recorda de cenas de seu casamento, explorando cada um deles, primeiro isoladamente e depois por meio de sinestesia:

exploração da visão

JOANA lembrou-se de repente, sem aviso prévio, dela mesma em pé no topo da escadaria. Não sabia se alguma vez estivera no alto de uma escada, olhando para baixo, para muita gente ocupada, vestida de cetim, com grandes leques. Muito provável mesmo que nunca tivesse vivido aquilo. Os leques, por exemplo, não tinham consistência na sua memória. Se queria pensar neles não via na realidade leques, porém manchas brilhantes nadando de um lado para outro...
(Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem - Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986 - texto adaptado)

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A cena é construída predominantemente por meio da visão, conjugada com a memória. Repare que a personagem se recorda de si mesma, numa perspectiva de cima em relação a um cenário que se esfumaça, transitando da objetividade para a subjetividade e assim fundamentando a imprecisão da lembrança, tematizada no texto.

Exemplo de redação sobre preservação de recursos naturais

Exemplo de redação

(sem título)


O ser humano tem a consciência de que depende da preservação dos recursos naturais para sobreviver. Entretanto, o desenvolvimento económico tem vários custos ecológicos. Os quadros abordam essa complexa relação do homem com o meio ambiente por meio de uma figura que se relaciona ao desmatamento e às indústrias, e de outra que representa a urbanização.
O primeiro quadro faz alusão a uma forma de degradação do ambiente, o extrativismo vegetal. No entanto, o personagem está cortando uma chaminé, e não uma árvore, como seria o convencional. Essa representação pode mostrar que há uma preocupação com a poluição gerada pelas indústrias como também que, ao desmaiar, o homem tece o fracasso do meio ambiente e, logo, da própria humanidade. Abordando duas das mais expressivas interferências do homem na Terra, esse quadro evidencia o perigo que o desenvolvimento sem sustentabilidade apresenta à vida.
As imagens do segundo quadro trazem uma outra questão ambiental, a substituição do espaço natural pelo artificial. Elas ilustram o processo de urbanização desencadeado principalmente após as revoluções industriais. O personagem dessa charge diferencia-se do outro pois ele é passivo aos problemas causados pela construção de espaços urbanos. Ele está sobre um prédio, com vista para um área coberta por inúmeros edifícios e pinta uma paisagem bucólica. É a ilustração de um homem urbano, que idealiza um espaço natural, mas que não se relaciona diretamente com ele. Enquanto ocorre a degradação ambiental pela formação de cidades, o personagem demonstra que a preservação da natureza provavelmente ocorrerá apenas em pinturas.
Discutida em todas as partes do globo e representada nos dois quadros, a questão ambiental persegue a humanidade. As imagens causam a reflexão sobre o papel do homem em preservar o espaço em que vive ao invés de buscar apenas a construção de indústrias e chaminés; e, ao mesmo tempo, de não deixar que a natureza se tome apenas uma pintura a ser mostrada nas galerias e museus.


Análise da redação

ARTICULAÇÃO: com alguma originalidade, o candidato explorou as duas imagens e cumpriu os comandos da proposta. Em quatro parágrafos, abordou a questão da preservação ambiental de modo amplo e embasado, demonstrando ter conhecimento prévio acerca do tema.

ORGANIZAÇÃO DAS IDEIAS: no primeiro parágrafo, o vestibulando optou por frases mais generalizantes, apontando a conscientização como medida que leva à preservação do meio ambiente. A leitura inicial do candidato acerca dos textos aponta elementos interessantes da análise feita: a industrialização, o desmatamento e o processo de urbanização são mencionados como fatores relevantes na degradação da natureza.

DESENVOLVIMENTO: no segundo parágrafo, o autor apresentou uma análise mais aprofundada da primeira imagem, mostrando ter percebido seu caráter alusivo, que faz referência ao extrativismo vegetal. Estabelecendo relações de conclusão, o candidato construiu uma reflexão sobre as atividades industriais. 0 fracasso do meio ambiente foi apresentado como causador do fracasso da humanidade, destacando a relação entre qualidade de vida e conscientização ecológica.
0 terceiro parágrafo trouxe a interpretação da segunda imagem, apresentando o personagem como alguém passivo no que se refere à defesa do meio ambiente. 0 espaço natural, de acordo com o candidato, é idealizado, uma vez que não há, provavelmente, como reverter o cenário que o rodeia.

RETOMANDO AS IMAGENS: no último parágrafo, o vestibulando cumpriu a segunda parte da proposta: relacionou as duas atitudes retratadas nas imagens. Ambas, segundo ele, são capazes de suscitar reflexão sobre o "papel do homem em preservar o espaço em que vive".

REDAÇÃO COERENTE E COESA: assim, de modo engajado e articulado, o autor seguiu os comandos propostos. Recorrendo a períodos mais curtos (o que facilita a compreensão do texto) e a conectores lógico-semânticos bem marcados (entretanto, no entanto, logo, pois, enquanto), o vestibulando desenvolveu de modo coerente e coeso o tema proposto. Além disso, recorreu a conhecimentos prévios que foram associados às ideias veiculadas pela própria proposta.

Veja aqui um modelo de redação perfeito para o Enem


Como fazer uma boa redação dissertativa no Enem

O texto dissertativo é produzido em situações que exigem do sujeito produtor a apresentação do seu ponto de vista sobre determinado assunto. Comum, sobretudo, no ambiente escolar para desenvolver a competência comunicativa do aluno, a dissertação pode ser produzida em exames vestibulares assim como em processos seletivos de candidatos a estágios e cargos em empresas públicas e privadas. Nessas situações, espera-se que o autor demonstre sua competência para dissertar, ou seja, para discorrer logicamente, organizando um texto com começo, meio e fim sobre determinado assunto.

Na dissertação, o autor precisa externar o pensamento sobre o assunto proposto, demonstrando senso crítico, independência de pensamento e capacidade comunicativa. Ao aprender a dissertar, o indivíduo aprende a selecionar e articular ideias, a expô-las e a participar efetivamente das mais diversas situações sociais. Assim, ao contrário do que alguns imaginam, a dissertação não serve apenas para o professor ler, mas também para praticar a exposição de um ponto de vista à sociedade.

A dissertação sempre tem uma intenção: apresentar o ponto de vista do autor do texto a outras pessoas, que podem concordar com a ideia ou refutá-la.

Uma vez que a dissertação é a apresentação do ponto de vista de quem escreve, é bom evitar se prender a um modelo ou a uma forma de texto que não expresse esse ponto de vista. Leia o que diz a professora Maria Thereza Fraga Rocco, responsável pelas provas de redação da Fuvest:
As boas redações são aquelas que obedecem ao discurso dissertativo — que têm começo, meio e fim — e são fruto da independência do pensamento de cada um. Ficamos exaustos de ver a "camisa de força" enfiada nos jovens pela escola ou pelos cursos preparativos.
Revista Guia do Estudante — Redação vestibular, 2008.

O leitor do texto quer saber a opinião do autor, o que ele pensa sobre o assunto dado e como pensa. Para realizar uma produção que atenda a esse propósito, é preciso demonstrar maturidade intelectual ao se posicionar sobre o tema e clareza na organização desse pensamento.

O autor da dissertação deve expressar suas ideias e defendê-las por meio de argumentos próprios, construídos a partir de sua visão de mundo. Na interação autor-leitor, o objetivo da dissertação é convencer o leitor do ponto de vista do autor, que, para persuadir e convencer, usa argumentos convincentes.

Toda informação, experiência de vida e conhecimento adquirido ao longo do tempo podem ajudar a elaborar a dissertação. Leia outro comentário da professora Maria Thereza para a mesma revista:
Pedimos temas que exijam que ele [o aluno] saiba refletir, julgar, analisar sob diversos ângulos, e nunca tópicos referentes às notícias recentes de jornal. Os estudantes ficam preocupados com a possibilidade de que caiam temas como a violência urbana, o aquecimento global, o gás natural da Bolívia. Não vai cair nada disso, já digo de cara!
O mais importante em relação a um tema é a sua progressão, isto é, como o tema se desenvolve. Convém lembrar que uma dissertação precisa ter raciocínio lógico ou encadeamento de ideias, em que uma implica o surgimento da seguinte. Cada uma das partes que formam um texto dissertativo — introdução, desenvolvimento e conclusão — tem um objetivo diferente, que exige um trabalho específico de redação. Leia uma das dissertações da Fuvest 2007 que teve boa avaliação. Ela é semelhante ao texto dissertativo do Enem, mas sem a proposta de intervenção característica deste exame. Você verá, ainda, os nossos comentários após o texto:

Vínculos que superam as diferenças
Um dos sentimentos mais admiráveis que um ser humano pode desenvolver por outro é a amizade. É através dela que muitas pessoas conseguem suportar grandes problemas em suas vidas e vencem grandes desafios.
Apesar de muitos argumentarem sobre quão difícil é encontrar alguém digno de confiança, o preço a ser pago nessa procura rende frutos ainda maiores quando se encontra uma pessoa disposta a cultivar uma amizade verdadeira com outra.
A sabedoria popular prega que "nenhum ser humano é uma ilha", e essa máxima é confirmada pelo cantor e compositor Tom Jobim, quando diz que "é impossível ser feliz sozinho". Os seres humanos precisam conviver em sociedade e criar vínculos fortes uns com os outros, porque a verdadeira amizade é mais profunda do que as pessoas imaginam: não é um relacionamento superficial, mas antes é construída à base da confiança, ou seja, lentamente.
Há muitas pessoas que buscam amizades, mas nessa busca não se importam com sentimentos alheios. Essa forma de procura por amigos é prejudicial porque é egoísta. Para ter amizades verdadeiras, as pessoas devem antes moldar-se para serem amigas, respeitando as outras pessoas, interessando-se por elas, e dessa forma descobrirão afinidades que as façam mais próximas umas das outras.
Há também quem queira manter-se longe de outras pessoas e não cultivar amizades com medo de ser magoado por alguém. Nos relacionamentos as pessoas de fato discordam umas das outras, e isso pode acontecer em amizades verdadeiras também, mas se houver real interesse entre as partes envolvidas, as diferenças são superadas a fim de que haja a retomada da amizade e assim preserve-se também a qualidade nos relacionamentos.
Portanto, o preço a ser pago no desenvolvimento de relacionamentos entre as pessoas rende bons frutos, e cultivar amizades verdadeiras faz bem aos seres humanos. A criação de vínculos interpessoais ajudam o indivíduo a superar problemas e moldam--no para que se interesse por outras pessoas. A verdadeira amizade faz com que as pessoas superem as diferenças e busquem uma boa qualidade em seus relacionamentos.
Disponível em: www.fuvest.br/vest2007/bestred/500105.stm. Acessado em abr. 2008.

O primeiro parágrafo expõe, apresenta a opinião do autor a respeito do assunto proposto.
Os parágrafos 2, 3 e 4 argumentam, isto é, apresentam ideias do autor para convencer o leitor. Para convencer, foram usados alguns recursos, como citações simples e sofismas.

O último parágrafo expõe novamente a opinião do autor, sua visão de mundo, suas crenças e seus valores.

Em relação à língua, é preciso ser claro e, para isso, o ideal é usar frases declarativas, vocabulário simples e, de preferência, objetivo — é conveniente evitar os clichês, ou seja, as frases feitas, como "a união faz a força", "é preciso saber viver", etc. Dê preferência à ordem direta dos enunciados (primeiro sujeito, depois verbo, complementos). Não se pode esquecer de usar termos que articulem as partes, para a progressão do tema, como entretanto, assim, por isso, logo, que contribuem para a coesão necessária a um bom texto.

Em relação ao estilo, ou seja, ao jeito de escrever uma dissertação, é preciso observar a presença de determinadas marcas gramaticais, tais como o verbo ser das orações subordinadas substantivas subjetivas. Por exemplo, é comum aparecerem as construções "é importante...", "é inútil...", etc. Note que elas ajudam a apresentar a opinião do autor de forma objetiva. O tempo verbal predominante é o presente com valor atemporal, que transmite a ideia de que a opinião dada vale generalizadamente.

Modelo de texto dissertativo nota 1000

#redação

➔ Qual a importância da coesão na redação do Enem?

Vimos, em outros artigos no site, que um texto não se reduz a um amontoado de frases desconexas. O que caracterizaria, então, a textualidade? Alguns a concebem de modo amplo, como qualquer manifestação da competência textual humana. Nesse caso, um desenho de Carybé, uma escultura de Michelangelo, uma música de Bach, um poema de Bandeira e até, entre outras possibilidades, um grafite num muro qualquer da cidade são considerados textos. As palavras texto e discurso, assim como muitas outras terminologias de toda área do conhecimento, são polissêmicas, isto é, podem ter mais de um significado. Em tempo, este é um conhecimento bastante importante na hora de construir a redação do Enem porque são critérios avaliados e cobrados com rigor pelos examinadores.

Veja na imagem abaixo quais os critérios a que me refio acima:


Num sentido mais abrangente, o texto pode ser entendido como qualquer expressão da capacidade simbólica do ser humano, desde uma poesia ou um conto, até um desenho a nanquim ou escultura. O texto inclui, desse modo, os variados eventos comunicativos realizados através de um sistema de signos. Já o discurso diz respeito a um tipo de atividade verbal, oral ou escrita, que acontece em determinadas condições, abrangendo tanto os enunciados produzidos por locutor(es) e interlocutor(es) quanto o acontecimento histórico de sua enunciação.

Os textos, assim, num sentido mais restrito, acabam se transformando em materialização linguística do discurso e constituem uma unidade significativa que assume sentido completo na interação verbal. A textualidade que nos interessa nesse tópico é aquela que consiste na materialização do discurso oral ou escrito e que se caracteriza por ter, como propriedade básica, uma unidade significativa.

Tal unidade pode ser chamada de vários modos diferentes: "encadeamento semântico", "teia significativa", "tessitura semântica" etc. Não importa o modo como o texto seja chamado, o que importa é que se saiba diferenciá-lo de um não texto. Uma combinação de palavras tem de conter algumas marcas para que seja reconhecida como um texto. Poderíamos citar algumas delas relacionadas pelos linguistas: contextualízação, coesão, coerência, intencionalidade, informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade. A seguir, veremos a coesão e depois a coerência.

É provável que você se lembre dessas palavras, escritas em vermelho, nas margens de alguma redação escolar que tenha produzido, e esteja se perguntando como produzir um texto com tais propriedades. A princípio, a melhor maneira de descobrir isso é observar como os textos funcionam. Vejamos isso nos exemplos a seguir.