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Exemplo de redação sobre preservação de recursos naturais

Exemplo de redação

(sem título)


O ser humano tem a consciência de que depende da preservação dos recursos naturais para sobreviver. Entretanto, o desenvolvimento económico tem vários custos ecológicos. Os quadros abordam essa complexa relação do homem com o meio ambiente por meio de uma figura que se relaciona ao desmatamento e às indústrias, e de outra que representa a urbanização.
O primeiro quadro faz alusão a uma forma de degradação do ambiente, o extrativismo vegetal. No entanto, o personagem está cortando uma chaminé, e não uma árvore, como seria o convencional. Essa representação pode mostrar que há uma preocupação com a poluição gerada pelas indústrias como também que, ao desmaiar, o homem tece o fracasso do meio ambiente e, logo, da própria humanidade. Abordando duas das mais expressivas interferências do homem na Terra, esse quadro evidencia o perigo que o desenvolvimento sem sustentabilidade apresenta à vida.
As imagens do segundo quadro trazem uma outra questão ambiental, a substituição do espaço natural pelo artificial. Elas ilustram o processo de urbanização desencadeado principalmente após as revoluções industriais. O personagem dessa charge diferencia-se do outro pois ele é passivo aos problemas causados pela construção de espaços urbanos. Ele está sobre um prédio, com vista para um área coberta por inúmeros edifícios e pinta uma paisagem bucólica. É a ilustração de um homem urbano, que idealiza um espaço natural, mas que não se relaciona diretamente com ele. Enquanto ocorre a degradação ambiental pela formação de cidades, o personagem demonstra que a preservação da natureza provavelmente ocorrerá apenas em pinturas.
Discutida em todas as partes do globo e representada nos dois quadros, a questão ambiental persegue a humanidade. As imagens causam a reflexão sobre o papel do homem em preservar o espaço em que vive ao invés de buscar apenas a construção de indústrias e chaminés; e, ao mesmo tempo, de não deixar que a natureza se tome apenas uma pintura a ser mostrada nas galerias e museus.


Análise da redação

ARTICULAÇÃO: com alguma originalidade, o candidato explorou as duas imagens e cumpriu os comandos da proposta. Em quatro parágrafos, abordou a questão da preservação ambiental de modo amplo e embasado, demonstrando ter conhecimento prévio acerca do tema.

ORGANIZAÇÃO DAS IDEIAS: no primeiro parágrafo, o vestibulando optou por frases mais generalizantes, apontando a conscientização como medida que leva à preservação do meio ambiente. A leitura inicial do candidato acerca dos textos aponta elementos interessantes da análise feita: a industrialização, o desmatamento e o processo de urbanização são mencionados como fatores relevantes na degradação da natureza.

DESENVOLVIMENTO: no segundo parágrafo, o autor apresentou uma análise mais aprofundada da primeira imagem, mostrando ter percebido seu caráter alusivo, que faz referência ao extrativismo vegetal. Estabelecendo relações de conclusão, o candidato construiu uma reflexão sobre as atividades industriais. 0 fracasso do meio ambiente foi apresentado como causador do fracasso da humanidade, destacando a relação entre qualidade de vida e conscientização ecológica.
0 terceiro parágrafo trouxe a interpretação da segunda imagem, apresentando o personagem como alguém passivo no que se refere à defesa do meio ambiente. 0 espaço natural, de acordo com o candidato, é idealizado, uma vez que não há, provavelmente, como reverter o cenário que o rodeia.

RETOMANDO AS IMAGENS: no último parágrafo, o vestibulando cumpriu a segunda parte da proposta: relacionou as duas atitudes retratadas nas imagens. Ambas, segundo ele, são capazes de suscitar reflexão sobre o "papel do homem em preservar o espaço em que vive".

REDAÇÃO COERENTE E COESA: assim, de modo engajado e articulado, o autor seguiu os comandos propostos. Recorrendo a períodos mais curtos (o que facilita a compreensão do texto) e a conectores lógico-semânticos bem marcados (entretanto, no entanto, logo, pois, enquanto), o vestibulando desenvolveu de modo coerente e coeso o tema proposto. Além disso, recorreu a conhecimentos prévios que foram associados às ideias veiculadas pela própria proposta.

Veja aqui um modelo de redação perfeito para o Enem


Como fazer uma boa redação dissertativa no Enem

O texto dissertativo é produzido em situações que exigem do sujeito produtor a apresentação do seu ponto de vista sobre determinado assunto. Comum, sobretudo, no ambiente escolar para desenvolver a competência comunicativa do aluno, a dissertação pode ser produzida em exames vestibulares assim como em processos seletivos de candidatos a estágios e cargos em empresas públicas e privadas. Nessas situações, espera-se que o autor demonstre sua competência para dissertar, ou seja, para discorrer logicamente, organizando um texto com começo, meio e fim sobre determinado assunto.

Na dissertação, o autor precisa externar o pensamento sobre o assunto proposto, demonstrando senso crítico, independência de pensamento e capacidade comunicativa. Ao aprender a dissertar, o indivíduo aprende a selecionar e articular ideias, a expô-las e a participar efetivamente das mais diversas situações sociais. Assim, ao contrário do que alguns imaginam, a dissertação não serve apenas para o professor ler, mas também para praticar a exposição de um ponto de vista à sociedade.

A dissertação sempre tem uma intenção: apresentar o ponto de vista do autor do texto a outras pessoas, que podem concordar com a ideia ou refutá-la.

Uma vez que a dissertação é a apresentação do ponto de vista de quem escreve, é bom evitar se prender a um modelo ou a uma forma de texto que não expresse esse ponto de vista. Leia o que diz a professora Maria Thereza Fraga Rocco, responsável pelas provas de redação da Fuvest:
As boas redações são aquelas que obedecem ao discurso dissertativo — que têm começo, meio e fim — e são fruto da independência do pensamento de cada um. Ficamos exaustos de ver a "camisa de força" enfiada nos jovens pela escola ou pelos cursos preparativos.
Revista Guia do Estudante — Redação vestibular, 2008.

O leitor do texto quer saber a opinião do autor, o que ele pensa sobre o assunto dado e como pensa. Para realizar uma produção que atenda a esse propósito, é preciso demonstrar maturidade intelectual ao se posicionar sobre o tema e clareza na organização desse pensamento.

O autor da dissertação deve expressar suas ideias e defendê-las por meio de argumentos próprios, construídos a partir de sua visão de mundo. Na interação autor-leitor, o objetivo da dissertação é convencer o leitor do ponto de vista do autor, que, para persuadir e convencer, usa argumentos convincentes.

Toda informação, experiência de vida e conhecimento adquirido ao longo do tempo podem ajudar a elaborar a dissertação. Leia outro comentário da professora Maria Thereza para a mesma revista:
Pedimos temas que exijam que ele [o aluno] saiba refletir, julgar, analisar sob diversos ângulos, e nunca tópicos referentes às notícias recentes de jornal. Os estudantes ficam preocupados com a possibilidade de que caiam temas como a violência urbana, o aquecimento global, o gás natural da Bolívia. Não vai cair nada disso, já digo de cara!
O mais importante em relação a um tema é a sua progressão, isto é, como o tema se desenvolve. Convém lembrar que uma dissertação precisa ter raciocínio lógico ou encadeamento de ideias, em que uma implica o surgimento da seguinte. Cada uma das partes que formam um texto dissertativo — introdução, desenvolvimento e conclusão — tem um objetivo diferente, que exige um trabalho específico de redação. Leia uma das dissertações da Fuvest 2007 que teve boa avaliação. Ela é semelhante ao texto dissertativo do Enem, mas sem a proposta de intervenção característica deste exame. Você verá, ainda, os nossos comentários após o texto:

Vínculos que superam as diferenças
Um dos sentimentos mais admiráveis que um ser humano pode desenvolver por outro é a amizade. É através dela que muitas pessoas conseguem suportar grandes problemas em suas vidas e vencem grandes desafios.
Apesar de muitos argumentarem sobre quão difícil é encontrar alguém digno de confiança, o preço a ser pago nessa procura rende frutos ainda maiores quando se encontra uma pessoa disposta a cultivar uma amizade verdadeira com outra.
A sabedoria popular prega que "nenhum ser humano é uma ilha", e essa máxima é confirmada pelo cantor e compositor Tom Jobim, quando diz que "é impossível ser feliz sozinho". Os seres humanos precisam conviver em sociedade e criar vínculos fortes uns com os outros, porque a verdadeira amizade é mais profunda do que as pessoas imaginam: não é um relacionamento superficial, mas antes é construída à base da confiança, ou seja, lentamente.
Há muitas pessoas que buscam amizades, mas nessa busca não se importam com sentimentos alheios. Essa forma de procura por amigos é prejudicial porque é egoísta. Para ter amizades verdadeiras, as pessoas devem antes moldar-se para serem amigas, respeitando as outras pessoas, interessando-se por elas, e dessa forma descobrirão afinidades que as façam mais próximas umas das outras.
Há também quem queira manter-se longe de outras pessoas e não cultivar amizades com medo de ser magoado por alguém. Nos relacionamentos as pessoas de fato discordam umas das outras, e isso pode acontecer em amizades verdadeiras também, mas se houver real interesse entre as partes envolvidas, as diferenças são superadas a fim de que haja a retomada da amizade e assim preserve-se também a qualidade nos relacionamentos.
Portanto, o preço a ser pago no desenvolvimento de relacionamentos entre as pessoas rende bons frutos, e cultivar amizades verdadeiras faz bem aos seres humanos. A criação de vínculos interpessoais ajudam o indivíduo a superar problemas e moldam--no para que se interesse por outras pessoas. A verdadeira amizade faz com que as pessoas superem as diferenças e busquem uma boa qualidade em seus relacionamentos.
Disponível em: www.fuvest.br/vest2007/bestred/500105.stm. Acessado em abr. 2008.

O primeiro parágrafo expõe, apresenta a opinião do autor a respeito do assunto proposto.
Os parágrafos 2, 3 e 4 argumentam, isto é, apresentam ideias do autor para convencer o leitor. Para convencer, foram usados alguns recursos, como citações simples e sofismas.

O último parágrafo expõe novamente a opinião do autor, sua visão de mundo, suas crenças e seus valores.

Em relação à língua, é preciso ser claro e, para isso, o ideal é usar frases declarativas, vocabulário simples e, de preferência, objetivo — é conveniente evitar os clichês, ou seja, as frases feitas, como "a união faz a força", "é preciso saber viver", etc. Dê preferência à ordem direta dos enunciados (primeiro sujeito, depois verbo, complementos). Não se pode esquecer de usar termos que articulem as partes, para a progressão do tema, como entretanto, assim, por isso, logo, que contribuem para a coesão necessária a um bom texto.

Em relação ao estilo, ou seja, ao jeito de escrever uma dissertação, é preciso observar a presença de determinadas marcas gramaticais, tais como o verbo ser das orações subordinadas substantivas subjetivas. Por exemplo, é comum aparecerem as construções "é importante...", "é inútil...", etc. Note que elas ajudam a apresentar a opinião do autor de forma objetiva. O tempo verbal predominante é o presente com valor atemporal, que transmite a ideia de que a opinião dada vale generalizadamente.

Modelo de texto dissertativo nota 1000

#redação

➔ Qual a importância da coesão na redação do Enem?

Vimos, em outros artigos no site, que um texto não se reduz a um amontoado de frases desconexas. O que caracterizaria, então, a textualidade? Alguns a concebem de modo amplo, como qualquer manifestação da competência textual humana. Nesse caso, um desenho de Carybé, uma escultura de Michelangelo, uma música de Bach, um poema de Bandeira e até, entre outras possibilidades, um grafite num muro qualquer da cidade são considerados textos. As palavras texto e discurso, assim como muitas outras terminologias de toda área do conhecimento, são polissêmicas, isto é, podem ter mais de um significado. Em tempo, este é um conhecimento bastante importante na hora de construir a redação do Enem porque são critérios avaliados e cobrados com rigor pelos examinadores.

Veja na imagem abaixo quais os critérios a que me refio acima:


Num sentido mais abrangente, o texto pode ser entendido como qualquer expressão da capacidade simbólica do ser humano, desde uma poesia ou um conto, até um desenho a nanquim ou escultura. O texto inclui, desse modo, os variados eventos comunicativos realizados através de um sistema de signos. Já o discurso diz respeito a um tipo de atividade verbal, oral ou escrita, que acontece em determinadas condições, abrangendo tanto os enunciados produzidos por locutor(es) e interlocutor(es) quanto o acontecimento histórico de sua enunciação.

Os textos, assim, num sentido mais restrito, acabam se transformando em materialização linguística do discurso e constituem uma unidade significativa que assume sentido completo na interação verbal. A textualidade que nos interessa nesse tópico é aquela que consiste na materialização do discurso oral ou escrito e que se caracteriza por ter, como propriedade básica, uma unidade significativa.

Tal unidade pode ser chamada de vários modos diferentes: "encadeamento semântico", "teia significativa", "tessitura semântica" etc. Não importa o modo como o texto seja chamado, o que importa é que se saiba diferenciá-lo de um não texto. Uma combinação de palavras tem de conter algumas marcas para que seja reconhecida como um texto. Poderíamos citar algumas delas relacionadas pelos linguistas: contextualízação, coesão, coerência, intencionalidade, informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade. A seguir, veremos a coesão e depois a coerência.

É provável que você se lembre dessas palavras, escritas em vermelho, nas margens de alguma redação escolar que tenha produzido, e esteja se perguntando como produzir um texto com tais propriedades. A princípio, a melhor maneira de descobrir isso é observar como os textos funcionam. Vejamos isso nos exemplos a seguir.